A condição social
A mesma tecnologia do mercado, pelo preço de um café por mês.
O SOS não nasceu dentro do Instituto. Ele pertence à Hectare Service, a empresa de tecnologia
que o criou — e a decisão que torna este programa possível é dela: no canal social, ela aceita
receber uma fração do que cobraria de um cliente comercial, para que o preço chegue ao Estado
no patamar de uma política pública, e não no de um contrato de tecnologia.
Tecnologia de proteção pessoal costuma seguir um caminho previsível: nasce cara e chega
primeiro a quem já tem alguma segurança — a empresa que paga o plano do executivo, o
condomínio que rateia a portaria, a família que pode. Quem mais precisa fica com a versão
gratuita, com menos recurso, ou fica de fora.
O canal social existe para inverter essa ordem. É o mesmo produto — o mesmo aplicativo, o
mesmo acionamento, a mesma integração com a central que o Estado mantém — oferecido a
governos estaduais por um preço construído para caber em orçamento público.
Condição do contrato de licença social assinado em 23/09/2026: preço único por pessoa
habilitada no programa estadual, por mês. Revisão anual somente por aditivo, nunca
automática, retroativa ou unilateral.
| Componente | Por pessoa, por mês |
| Preço social pago pelo Estado | R$ 4,70 |
| Licença, manutenção, correções de segurança, atualizações e suporte da tecnologia (Hectare Service) | R$ 1,645 |
| Execução social do Instituto: operação, atendimento, capacitação, inclusão e monitoramento de impacto | R$ 3,055 |
Para dar a medida: nos Estados Unidos, um alarme de socorro com central 24 horas custa de
R$ 179,69 a R$ 205,40 por pessoa ao mês (mensalidades de tabela em dólar, convertidas
pela cotação do Banco Central de 23/09/2026), e o pedido é feito pelo botão de um aparelho à
parte. Não é o mesmo produto: lá, a mensalidade paga a central particular e o aparelho; aqui,
a central é a que o Estado já mantém. Por isso a comparação serve de ordem de grandeza, nunca
de equivalência. A comparação completa está na notícia da assinatura.
De onde vem esse preço — e quem abre mão de quê
Não há mágica nem prejuízo. Pela licença, a Hectare Service recebe uma contraprestação
fixa em reais por pessoa habilitada — R$ 1,645, 35% do preço social — e abre mão, por decisão própria e registrada em contrato, da margem que
obteria licenciando a mesma tecnologia fora deste canal. É renúncia parcial e voluntária
de margem comercial, não caridade informal e não venda abaixo do custo.
Os 65% restantes não são lucro de ninguém. São receita vinculada às finalidades do
estatuto: os projetos apoiados, a formação de quem vai operar, o acompanhamento dos
indicadores, a comunicação pública e as obras sociais — com contabilidade segregada e
prestação de contas. O saldo não é doação líquida nem recurso livre: tem destino escrito
antes de existir.
A regra que sustenta isso é dura e vale contra nós: se o Instituto aparecer apenas como
intermediário, sem função material no programa, esta operação perde o sentido — e a razão
de existir. É por isso que a página Transparência
publica o caminho de cada real antes do primeiro real entrar.
O vínculo entre o Instituto e a Hectare Service, dito antes que alguém pergunte
Os sócios da Hectare Service também ocupam funções na direção do Instituto. Isso se chama
operação entre partes relacionadas. Não é irregular, e não vamos esconder: exige
regra, e o contrato assinado traz as suas — preço demonstrado por memória de custos,
medição validada por responsável sem interesse econômico na Hectare Service, proibição de
comissão oculta e de intermediários, contas separadas por projeto, relatório trimestral de
execução e auditoria.
A Política de Conflito de Interesses e Partes Relacionadas do Instituto está em aprovação
e será publicada em Transparência.
Preferimos escrever esta frase nós mesmos a deixar que alguém a descubra depois. Um
programa de proteção que esconde o próprio vínculo societário não merece a confiança que
pede.
O que o contrato já garante, e o que ainda depende do Estado
Assinado: o contrato de licença social entre a Hectare Service e o Instituto, em
23 de setembro de 2026, com certificados digitais das duas empresas. Vale por 60 meses e
fixa preço, medição, prestação de contas e proteção de dados.
Leia o contrato na íntegra.
Ainda não aconteceu: nenhum Estado contratou o programa. Cada implantação depende
de contratação pública própria, homologação no ambiente estadual e ordem de projeto
assinada. Publicamos o instrumento — e não apenas o anúncio dele.
O que o preço cobre: o direito de uso da tecnologia. O que ele não cobre e fica com o
Estado, direta ou indiretamente: servidores, nuvem, conectividade, aparelhos, central
humana, despacho, integrações e o atendimento às pessoas. Uma proposta séria separa essas
linhas — e a nossa vai separar.
Quatro reais e setenta centavos. É um café. É também o que separa um pedido de socorro que
morre no fundo do bolso de um pedido que sai dali com hora e endereço, na direção de quem tem
o dever de responder. O preço nunca foi o obstáculo real — mas foi, por tempo demais, a
desculpa mais fácil.
Fonte: contrato de licença social Hectare Service–Instituto, assinado em 23/09/2026
Estado do dado: atual — condição contratada
Comparação: mensalidades de tabela de alarmes com central nos EUA, consultadas nos sites oficiais em 23/09/2026 e convertidas pela cotação do Banco Central do mesmo dia
Programas estaduais contratados: nenhum