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Celular sobre uma mesa de madeira, com a tela acesa mostrando uma onda de voz roxa; ao fundo, fora de foco, a silhueta de uma mulher perto da janela.

Notícia · Atualização de projeto

ITISP assina licença para levar o SOS aos estados por R$ 4,70 por pessoa.

O contrato permite oferecer a governos estaduais de todo o país uma tecnologia brasileira que reconhece o pedido de socorro pela voz — a um preço de política pública, e não de contrato de tecnologia.

Publicado em Responsável pela informação: Direção do ITISP Leitura: 8 minutos

Fotografia: imagem conceitual gerada por inteligência artificial. Não retrata pessoa, caso ou operação real.

Pedir ajuda costuma exigir exatamente o que a emergência tira de quem está em perigo: achar o celular, desbloquear a tela, encontrar o número, falar e explicar onde está. O SOS encurta esse caminho. Basta pedir socorro: o próprio celular reconhece o pedido pela voz, sem mandar áudio para lugar nenhum, e chama ajuda.

Nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, o Instituto de Tecnologia e Inovação Social do Paraná (ITISP) e a Hectare Service, empresa de Curitiba que criou a tecnologia, assinaram o contrato que abre esse caminho para os governos estaduais. Ele concede ao Instituto a licença social exclusiva do SOS: a autorização para estruturar e oferecer a Estados e ao Distrito Federal, em todo o país, um modelo subsidiado da tecnologia, com manutenção e suporte da Hectare Service.

O preço ficou em R$ 4,70 por pessoa, por mês, pago pelo Estado. A pessoa atendida não paga nada.

  • R$ 4,70por pessoa protegida, por mês, pago pelo Estado
  • R$ 0o que paga a pessoa atendida pelo programa
  • 27unidades da federação a que o modelo pode ser oferecido: os 26 Estados e o Distrito Federal
  • 60 mesesde vigência do contrato

Uma tecnologia que escuta

O SOS foi feito para o celular. Não é mais um aplicativo para baixar: é um núcleo de emergência que entra no aplicativo que o governo já oferece à população, e reúne num só caminho várias formas de pedir ajuda.

  • Basta pedir socorro. O próprio celular reconhece o pedido pela voz, em português, sem mandar áudio para a internet. E a nova geração do reconhecimento, já validada em laboratório, vai além: percebe pelo jeito de falar — um grito ou um sussurro — que o pedido é urgente, e acelera o chamado.
  • De guarda o tempo todo. A pessoa autoriza uma vez só. Depois disso, o SOS fica de guarda com a tela bloqueada, sem precisar abrir o aplicativo, desbloquear o celular ou achar um ícone.
  • Também sem internet. Onde o sinal de internet falha, o pedido de socorro pode sair mesmo assim. É um recurso opcional, que cada Estado contrata conforme a sua realidade.
  • Com localização e contexto. O pedido segue com a localização que a pessoa autorizou, para a central que o Estado define.
  • Com os dados sob comando público. O contrato proíbe vender dados ou usá-los em publicidade, perfis comerciais ou treino de inteligência artificial.

Existe algo igual lá fora?

Igual, não encontramos. Nos produtos que pesquisamos, o que existe são duas outras famílias. Os aplicativos de segurança pessoal, vendidos direto ao consumidor, dependem de internet e, em geral, pedem que a pessoa abra o aplicativo ou toque num botão. Os alarmes com central 24 horas, comuns nos Estados Unidos, são um aparelho à parte, com um botão: a pessoa aperta, e a central atende.

Colocar esses produtos lado a lado com o SOS é como comparar um Fusca com uma Ferrari: os dois andam, mas não são o mesmo carro. E, neste caso, a Ferrari custa menos.

Quanto custa, por pessoa e por mês: o SOS e os alarmes com central 24 horas dos Estados Unidos

Em reais. Mensalidade de tabela no site oficial de cada fabricante, sem promoções, em 23/09/2026; dólar convertido pela cotação oficial do Banco Central do mesmo dia (US$ 1 = R$ 5,1414). Nos alarmes, a mensalidade paga a central particular, e o pedido é feito pelo botão do aparelho. No SOS, os R$ 4,70 são a licença da tecnologia: a central é a que o Estado já mantém, e a implantação é orçada à parte com cada Estado. Passe o mouse ou use o teclado sobre cada barra para ver o que o preço inclui.

  1. SOS preço social, pago pelo Estado R$ 4,70
  2. Bay Alarm Medical SOS All-In-One 2, EUA R$ 179,69
  3. MobileHelp Elite, EUA R$ 195,12
  4. Medical Guardian Guardian Flex, EUA R$ 205,40
Ver os mesmos dados em tabela, com as fontes
ProdutoPreço oficialEm reaisFonte
SOS — preço socialR$ 4,70/mêsR$ 4,70contrato
Bay Alarm Medical — SOS All-In-One 2US$ 34,95/mês + US$ 149 do aparelhoR$ 179,69 + R$ 766,07bayalarmmedical.com
MobileHelp — EliteUS$ 37,95/mês, aparelho incluídoR$ 195,12mobilehelp.com
Medical Guardian — Guardian FlexUS$ 39,95/mês no plano anual + US$ 149,95 do aparelhoR$ 205,40 + R$ 770,95medicalguardian.com

Um alarme com central custa, nos Estados Unidos, de 38 a 44 vezes o preço social do SOS. A diferença tem explicação: lá, a mensalidade paga a central particular e o aparelho; aqui, o Estado usa a central que já tem, a pessoa usa o celular que já tem, e a Hectare Service abriu mão, em contrato, do ganho comercial neste canal.

O que o SOS faz que os outros não fazem

Comparação por família de produto, com base no que cada fabricante declara no próprio site, consultado em 23/09/2026. Não é garantia de que os produtos de terceiros funcionem no Brasil. O SOS está em testes e passa por homologação em cada Estado que contratar.
RecursoSOSAplicativos de segurança do varejo
como bSafe, Life360 e Noonlight
Alarmes com central 24 horas
como Medical Guardian, Bay Alarm e MobileHelp
Pedir socorro só com a voz, sem tocar no celular Sim. Basta pedir socorro Em poucos, segundo os fabricantes: por uma frase cadastrada pela pessoa ou pela caixa de som inteligente Não, nos modelos comparados. O pedido é pelo botão; o microfone do aparelho serve para conversar com a central depois do alarme
De guarda o tempo todo, com a tela bloqueada Sim. Autoriza uma vez e fica de guarda Em geral, é preciso abrir o aplicativo ou tocar num botão Não se aplica: é um aparelho à parte, que a pessoa precisa ter por perto
Funciona sem internet Sim, como opção contratada pelo Estado Não. Dependem de conexão Pela rede celular do próprio aparelho
Quem atende A central do próprio Estado Contatos da pessoa; central 24 horas só em alguns produtos, fora do Brasil Central particular nos Estados Unidos
Entra no aplicativo do governo Sim. Feito para isso Em geral, não: são aplicativos da própria marca; alguns oferecem integração a empresas Não.
Feito para o Brasil Sim. Feito no Brasil, em português Não. São aplicativos estrangeiros, sem central de emergência no país Não. Atendem só nos Estados Unidos
Quanto custa por mês R$ 4,70 por pessoa, pago pelo Estado; a pessoa não paga nada Por assinatura, conforme o plano De R$ 180 a R$ 205 por pessoa; em dois dos três, mais o aparelho

Feito no Brasil, por brasileiros

O SOS foi criado em Curitiba, por uma empresa brasileira, e está registrado como programa de computador no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O reconhecimento de voz foi preparado para o português falado no Brasil — inclusive para não disparar com palavras de som parecido. É tecnologia pensada para a realidade de quem vive aqui, com um caminho para chegar a quem mais precisa pela via dos governos estaduais.

O que o contrato garante

Contrato de licença social do SOS

Partes
Hectare Service Technology Ltda. (CNPJ 52.041.523/0001-80), titular da tecnologia, e o Instituto (razão social: Instituto Paranaense de Tecnologia, Inovação e Gestão Ideia Pública, CNPJ 42.669.091/0001-00).
Assinatura
23 de setembro de 2026.
Objeto
Licença social exclusiva para estruturar e oferecer o modelo subsidiado do SOS a Estados e ao Distrito Federal, em todo o território nacional, com manutenção e suporte da Hectare Service.
Preço
R$ 4,70 por pessoa protegida ativa, por mês. R$ 1,645 remuneram licença, manutenção, correções de segurança, atualizações e suporte; R$ 3,055 custeiam a execução social do Instituto.
Renúncia
A Hectare Service abre mão, neste canal, da diferença para o preço que praticaria no mercado comercial — sem royalty, comissão ou taxa de exclusividade.
Vigência
60 meses a partir da assinatura, renovável por escrito. Revisão anual de preço só por aditivo, nunca automática, retroativa ou unilateral.
Dados
Proibidos a venda e o uso para publicidade, perfis comerciais ou treino de inteligência artificial. Incidente comunicado em até 24 horas.
Prestação de contas
Medição mensal, relatório trimestral de execução e impacto, contas separadas por projeto, auditoria e registros guardados por 10 anos.
Exclusividade
Vale entre as duas partes e só para o modelo social estadual. Não obriga nenhum governo a contratar nem impede a escolha de outra solução.

O que ainda não aconteceu

Os limites, na mesma página do anúncio

  • Nenhum Estado contratou o programa até hoje. Cada implantação depende de contratação pública própria, homologação no ambiente estadual e ordem de projeto assinada.
  • O SOS não substitui o 190, o 180, o 192, o 193 nem o Disque 100: encurta o caminho até eles. A resposta humana — central, triagem e atendimento — é do Estado.
  • Nenhum software garante socorro. A entrega do pedido depende de rede, aparelho e da operação contratada.
  • Os recursos disponíveis em cada modelo de celular são confirmados na implantação com o Estado.