Pedir ajuda costuma exigir exatamente o que a emergência tira de quem está em perigo: achar o celular, desbloquear a tela, encontrar o número, falar e explicar onde está. O SOS encurta esse caminho. Basta pedir socorro: o próprio celular reconhece o pedido pela voz, sem mandar áudio para lugar nenhum, e chama ajuda.
Nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, o Instituto de Tecnologia e Inovação Social do Paraná (ITISP) e a Hectare Service, empresa de Curitiba que criou a tecnologia, assinaram o contrato que abre esse caminho para os governos estaduais. Ele concede ao Instituto a licença social exclusiva do SOS: a autorização para estruturar e oferecer a Estados e ao Distrito Federal, em todo o país, um modelo subsidiado da tecnologia, com manutenção e suporte da Hectare Service.
O preço ficou em R$ 4,70 por pessoa, por mês, pago pelo Estado. A pessoa atendida não paga nada.
- R$ 4,70por pessoa protegida, por mês, pago pelo Estado
- R$ 0o que paga a pessoa atendida pelo programa
- 27unidades da federação a que o modelo pode ser oferecido: os 26 Estados e o Distrito Federal
- 60 mesesde vigência do contrato
Uma tecnologia que escuta
O SOS foi feito para o celular. Não é mais um aplicativo para baixar: é um núcleo de emergência que entra no aplicativo que o governo já oferece à população, e reúne num só caminho várias formas de pedir ajuda.
- Basta pedir socorro. O próprio celular reconhece o pedido pela voz, em português, sem mandar áudio para a internet. E a nova geração do reconhecimento, já validada em laboratório, vai além: percebe pelo jeito de falar — um grito ou um sussurro — que o pedido é urgente, e acelera o chamado.
- De guarda o tempo todo. A pessoa autoriza uma vez só. Depois disso, o SOS fica de guarda com a tela bloqueada, sem precisar abrir o aplicativo, desbloquear o celular ou achar um ícone.
- Também sem internet. Onde o sinal de internet falha, o pedido de socorro pode sair mesmo assim. É um recurso opcional, que cada Estado contrata conforme a sua realidade.
- Com localização e contexto. O pedido segue com a localização que a pessoa autorizou, para a central que o Estado define.
- Com os dados sob comando público. O contrato proíbe vender dados ou usá-los em publicidade, perfis comerciais ou treino de inteligência artificial.
Existe algo igual lá fora?
Igual, não encontramos. Nos produtos que pesquisamos, o que existe são duas outras famílias. Os aplicativos de segurança pessoal, vendidos direto ao consumidor, dependem de internet e, em geral, pedem que a pessoa abra o aplicativo ou toque num botão. Os alarmes com central 24 horas, comuns nos Estados Unidos, são um aparelho à parte, com um botão: a pessoa aperta, e a central atende.
Colocar esses produtos lado a lado com o SOS é como comparar um Fusca com uma Ferrari: os dois andam, mas não são o mesmo carro. E, neste caso, a Ferrari custa menos.
Quanto custa, por pessoa e por mês: o SOS e os alarmes com central 24 horas dos Estados Unidos
Em reais. Mensalidade de tabela no site oficial de cada fabricante, sem promoções, em 23/09/2026; dólar convertido pela cotação oficial do Banco Central do mesmo dia (US$ 1 = R$ 5,1414). Nos alarmes, a mensalidade paga a central particular, e o pedido é feito pelo botão do aparelho. No SOS, os R$ 4,70 são a licença da tecnologia: a central é a que o Estado já mantém, e a implantação é orçada à parte com cada Estado. Passe o mouse ou use o teclado sobre cada barra para ver o que o preço inclui.
Ver os mesmos dados em tabela, com as fontes
| Produto | Preço oficial | Em reais | Fonte |
|---|---|---|---|
| SOS — preço social | R$ 4,70/mês | R$ 4,70 | contrato |
| Bay Alarm Medical — SOS All-In-One 2 | US$ 34,95/mês + US$ 149 do aparelho | R$ 179,69 + R$ 766,07 | bayalarmmedical.com |
| MobileHelp — Elite | US$ 37,95/mês, aparelho incluído | R$ 195,12 | mobilehelp.com |
| Medical Guardian — Guardian Flex | US$ 39,95/mês no plano anual + US$ 149,95 do aparelho | R$ 205,40 + R$ 770,95 | medicalguardian.com |
Um alarme com central custa, nos Estados Unidos, de 38 a 44 vezes o preço social do SOS. A diferença tem explicação: lá, a mensalidade paga a central particular e o aparelho; aqui, o Estado usa a central que já tem, a pessoa usa o celular que já tem, e a Hectare Service abriu mão, em contrato, do ganho comercial neste canal.
O que o SOS faz que os outros não fazem
| Recurso | SOS | Aplicativos de segurança do varejo como bSafe, Life360 e Noonlight | Alarmes com central 24 horas como Medical Guardian, Bay Alarm e MobileHelp |
|---|---|---|---|
| Pedir socorro só com a voz, sem tocar no celular | Sim. Basta pedir socorro | Em poucos, segundo os fabricantes: por uma frase cadastrada pela pessoa ou pela caixa de som inteligente | Não, nos modelos comparados. O pedido é pelo botão; o microfone do aparelho serve para conversar com a central depois do alarme |
| De guarda o tempo todo, com a tela bloqueada | Sim. Autoriza uma vez e fica de guarda | Em geral, é preciso abrir o aplicativo ou tocar num botão | Não se aplica: é um aparelho à parte, que a pessoa precisa ter por perto |
| Funciona sem internet | Sim, como opção contratada pelo Estado | Não. Dependem de conexão | Pela rede celular do próprio aparelho |
| Quem atende | A central do próprio Estado | Contatos da pessoa; central 24 horas só em alguns produtos, fora do Brasil | Central particular nos Estados Unidos |
| Entra no aplicativo do governo | Sim. Feito para isso | Em geral, não: são aplicativos da própria marca; alguns oferecem integração a empresas | Não. |
| Feito para o Brasil | Sim. Feito no Brasil, em português | Não. São aplicativos estrangeiros, sem central de emergência no país | Não. Atendem só nos Estados Unidos |
| Quanto custa por mês | R$ 4,70 por pessoa, pago pelo Estado; a pessoa não paga nada | Por assinatura, conforme o plano | De R$ 180 a R$ 205 por pessoa; em dois dos três, mais o aparelho |
Feito no Brasil, por brasileiros
O SOS foi criado em Curitiba, por uma empresa brasileira, e está registrado como programa de computador no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O reconhecimento de voz foi preparado para o português falado no Brasil — inclusive para não disparar com palavras de som parecido. É tecnologia pensada para a realidade de quem vive aqui, com um caminho para chegar a quem mais precisa pela via dos governos estaduais.
O que o contrato garante
Contrato de licença social do SOS
- Partes
- Hectare Service Technology Ltda. (CNPJ 52.041.523/0001-80), titular da tecnologia, e o Instituto (razão social: Instituto Paranaense de Tecnologia, Inovação e Gestão Ideia Pública, CNPJ 42.669.091/0001-00).
- Assinatura
- 23 de setembro de 2026.
- Objeto
- Licença social exclusiva para estruturar e oferecer o modelo subsidiado do SOS a Estados e ao Distrito Federal, em todo o território nacional, com manutenção e suporte da Hectare Service.
- Preço
- R$ 4,70 por pessoa protegida ativa, por mês. R$ 1,645 remuneram licença, manutenção, correções de segurança, atualizações e suporte; R$ 3,055 custeiam a execução social do Instituto.
- Renúncia
- A Hectare Service abre mão, neste canal, da diferença para o preço que praticaria no mercado comercial — sem royalty, comissão ou taxa de exclusividade.
- Vigência
- 60 meses a partir da assinatura, renovável por escrito. Revisão anual de preço só por aditivo, nunca automática, retroativa ou unilateral.
- Dados
- Proibidos a venda e o uso para publicidade, perfis comerciais ou treino de inteligência artificial. Incidente comunicado em até 24 horas.
- Prestação de contas
- Medição mensal, relatório trimestral de execução e impacto, contas separadas por projeto, auditoria e registros guardados por 10 anos.
- Exclusividade
- Vale entre as duas partes e só para o modelo social estadual. Não obriga nenhum governo a contratar nem impede a escolha de outra solução.
O que ainda não aconteceu
Os limites, na mesma página do anúncio
- Nenhum Estado contratou o programa até hoje. Cada implantação depende de contratação pública própria, homologação no ambiente estadual e ordem de projeto assinada.
- O SOS não substitui o 190, o 180, o 192, o 193 nem o Disque 100: encurta o caminho até eles. A resposta humana — central, triagem e atendimento — é do Estado.
- Nenhum software garante socorro. A entrega do pedido depende de rede, aparelho e da operação contratada.
- Os recursos disponíveis em cada modelo de celular são confirmados na implantação com o Estado.